Capítulo de Livro | Reflexões por uma Andragogia Geográfica para a Educação de Jovens e Adultos


Reflexões por uma Andragogia Geográfica para a Educação de Jovens e Adultos

Nathan Belcavello de Oliveira

Resumo:

A Andragogia, cunhada por Alexander Kapp no século XIX e popularizada por Malcolm Knowles na década de 1970, é uma metodologia de ensino-aprendizagem que reconhece as particularidades do aprendizado adulto, distinguindo-se da Pedagogia, voltada ao ensino-aprendizagem infanto-juvenil. Surgiu devido à necessidade de abordagens que valorizassem a autonomia, as experiências prévias e os objetivos práticos dos adultos, em contraste com métodos centrados no docente. Knowles estabeleceu princípios fundamentais, como a “necessidade de saber” (adultos precisam compreender a relevância do conteúdo), o
“autoconceito do aprendiz” (ênfase na autogestão do conhecimento) e o uso da “experiência
prévia como recurso” (integrando vivências passadas ao novo conhecimento). Além disso, destacou a “motivação interna” como motor principal, já que adultos respondem melhor a estímulos como realização profissional ou qualidade de vida do que a recompensas externas. Apesar de revolucionária, a Andragogia recebe críticas por partir do pressuposto que todos os adultos possuem autonomia na construção do conhecimento, ignorando variações culturais e contextuais. Contudo, sua aplicação prática permanece essencial, especialmente na educação corporativa e no ensino superior, onde metodologias ativas – como aprendizagem baseada em problemas e mentorias – otimizam o engajamento. Em suma, a Andragogia é mais que uma teoria; é um paradigma que transforma a educação de adultos ao priorizar sua autonomia, experiências e necessidades imediatas, oferecendo um caminho eficaz para educadores e designers instrucionais. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Andragogia busca valorizar a autonomia, experiências prévias e necessidades práticas dos discentes, promovendo um processo de ensino-aprendizagem contextualizado e participativo. Métodos ativos – como debates, projetos e problematizações – substituem metodologias tradicionais expositivas, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo e aplicação real, onde o docente atua como facilitador na construção de um novo conhecimento. Nesse sentido, a Geografia, ao estudar as relações entre sociedade e ambiente na constituição do espaço geográfico, oferece contribuições essenciais à Andragogia na EJA. Seu enfoque em temas como trabalho e dinâmicas espaciais, por exemplo, permite conectar o ensino-aprendizado à realidade vivida pelos discentes, tornando-o mais significativo. Por exemplo, discutir urbanização ou desigualdades regionais possibilita que adultos reflitam sobre suas próprias experiências, promovendo a construção de um novo conhecimento pautado na contextualização e na crítica. Ainda, a Geografia ao trabalhar com habilidades práticas – como leitura de mapas e análise de dados espaciais – pode ser aplicada ao cotidiano, desde a navegação até a compreensão de políticas públicas. Essas competências reforçam o princípio andragógico da “utilidade imediata do conhecimento”. A Geografia também pode estimular o debate sobre cidadania e emancipação, temas caros à EJA, ao explorar questões como direitos territoriais, migrações e identidades culturais. Isso não só valoriza a bagagem dos discentes, mas os empodera como agentes de transformação social. Essas e outras reflexões devem ser aprofundadas para otimizar o processo de ensino-aprendizagem para parcela considerável da comunidade discente da EJA, os adultos, integrando teoria e prática e promovendo a autonomia intelectual e fomentando uma educação crítica e emancipatória.
Palavras-chave: Andragogia; Geografia; Educação de Jovens e Adultos.


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Citação:

OLIVEIRA, Nathan Belcavello de Oliveira. Reflexões por uma Andragogia Geográfica para a Educação de Jovens e Adultos. In: SILVA, Cecília Félix Andrade; OLIVEIRA, Diego Alves de; RIBEIRO, Elizêne Veloso; SILVA, Jairo Rodrigues; SANTOS, Igor Rafael Torres; CAMARGO, Pedro Luiz Teixeira de (org.). Geografia e ensino: desafios e possibilidades no ensino de Geografia e áreas afins. Ouro Preto: IFMG, 2025. p. 85-91. Disponível em: <https://www.belcavello.com.br/2025/12/oliveirageifmg.html>.